Minha pequena trajetória no software livre

Este mês completam 10 anos desde que comecei meu curso de “Bacharelado em Informática e Tecnologia da Informação” na UERJ. Para comemorar esta primeira década, vou falar um pouco de uma parte importante da minha carreira: o meu envolvimento com software livre.

O início

Utilizo e advogo a favor do software livre desde aproximadamente 2003, no início da minha carreira profissional. No entanto, só a partir de 2008 que passei a fazer parte de uma comunidade e trabalhar em conjunto com outras pessoas em favor deste ideal. Esta comunidade foi a SL-RJ e a conheci durante o Flisol 2008, evento organizado por alguns amigos logo após a criação do grupo.

Na comunidade

Desde então, eu procuro fazer o que posso para ajudar, sempre buscando mais. Em 2009, eu organizei meu primeiro evento (Flisol 2009) e fiz minha primeira palestra (Gnugraf 2009).

Neste ano estava muito envolvido com a comunidade, mas vi todos aqueles eventos importantes, como FISL e Latinoware, passando e eu não fui em nenhum. Terminei o ano pensando: “Ano que vem eu vou em algum evento grande de software livre!”

Primeiro evento grande

Em 2010, só dei uma palestra (Gnugraf 2010) e não pude ir no FISL. Então, para cumprir minha meta, eu fui ao Latinoware! Gostei muito de estar naquele ambiente cheio de pessoas inteligentes e cheio de amigos (sim, o pessoal do SL-RJ estava em peso lá – como palestrantes!).

Muito destes amigos falaram que eu devia ter mandado uma palestra, mas eu andava com a cabeça muito cheia para pensar nisso e acabou passando. Então submeti uma palestra ao evento FSLDC 2010 que foi aprovada! Infelizmente, fiquei muito gripado no dia anterior e não tive a menor condição de ir ao evento.

Mostrando a cara

Então o ano de 2011 começou com uma nova meta: “fazer mais palestras”. Comecei palestrando em abril no Flisol 2011 e, em seguida, no FSLDC 2011, ambas com a palestra “Integração contínua com software livre” que ia apresentar no FSLDC 2010. Fiquei empolgado e submeti 2 palestras ao FISL. Para a minha total surpresa, uma delas foi aprovada!!!

Assim, acabei indo para o meu segundo evento grande de software livre, mas desta vez como palestrante (que tem regalias, como jantar às custas do Google :P ). No FISL, apresentei a palestra “Android: uma catedral de sucesso” e foi bem legal (até apareceu no site do evento \o/).

Obs.: As apresentações de todas as minhas palestras estão na página Palestras aqui do blog.

Meta cumprida

Estamos pouco além da metade de 2011 e considero minha meta para este ano cumprida. Já mostrei bastante a minha cara e, mesmo assim, ainda tenho 2 palestras marcadas. A primeira será na próxima segunda-feira, no Ciclo de Palestras do Sindpd-RJ, e a outra no sábado seguinte, no II Universidade Livre. Gostaria de poder apresentar em outros eventos, mas o Hack’n Rio está sugando todas as minhas forças e estou preferindo deixar para depois que o evento passar.

Falando em Hack’n Rio, este é um marco importante na minha trajetória no software livre, pois é o maior evento que já organizei. Com dois dias de duração e uma quantidade razoável de patrocinadores, está dando bastante trabalho, mas vai valer a pena.

Futuro

E minha meta para 2012? Com certeza será contribuir como desenvolvedor para alguns projetos. Sinto que preciso dar um passo a mais na carreira e deixar de apenas fazer divulgação. Este ano comecei a dar meus primeiros passos no desenvolvimento de software livre: primeiro com o ORC, iniciado pelo Gabriel Duarte, e depois começando o Barcode-Check-in, que talvez seja usado no Hack’n Rio para fazer o credenciamento dos participantes de forma mais ágil. No entanto, além de criar projetos, quero contribuir com os que já existem e que utilizo.

Se o mundo não acabar em 2012 (:P), espero que daqui a 10 anos eu já seja um desenvolvedor conhecido e respeitado, e tenha como minha principal fonte de renda o software livre. Como sou um cara ansioso, agora estou doido para saber como estarei em 2021!

Carreira em lambda em TI

Quem trabalha em TI (e possívelmente outras áreas técnicas) já devem ter ouvido falar da “Carreira em Y”. Este formato de plano de carreira prega uma progressão onde uma pessoa de perfil técnico não precisa passar desempenhar uma função administrativa (virar gerente) para subir. Ela pode continuar progredindo como um técnico até o fim de sua carreira na empresa. Isto foi criado para evitar um antigo problema enfrentado pelas empresas: perder um ótimo técnico para ganhar um péssimo gerente. É uma ideia boa, porém pouco implementada (e virou até motivo de piadas).

Pois então vou apresentá-los minha teoria sobre o que realmente acontece na grande maioria das empresas: a “Carreira em Lambda”. Explico-lhes logo abaixo.

Esquema da Carreira em LabdaDividimos o lambda em dois lados: esquerdo mostra a carreira administrativa e direito a técnica. Na parte inferior da figura temos 2 inícios de carreiras para cada tipo.

Então você pergunta: “início da carreira administrativa? Mas isso não é só para gerente?” Era sim antigamente, quando só os gerentes cuidavam da papelada. Atualmente o nível de burocracia das empresas de TI é tal, que é preciso delegar um pouco deste trabalho tedioso para os subordinados.

Quem começa do lado administrativo tem vantagens, o caminho é sempre ascendente, o que o torna mais curto. Quem começa como técnico, primeiro começa a desaprender todas as boas práticas para se adaptar à estrutura da empresa e aos prazos absurdos dos projetos, até chegar ao “Vale das Desilusões”.

O “Vale das Desilusões” (nome emprestado do Hype Cycle do Gartner) representa aquele momento em que o técnico desaprendeu tanto, que se pergunta se ele escolheu a carreira certa. Neste momento, a muitos técnicos tentam migrar para a outra perna da carreira, mas a maioria persiste achando que vai melhorar.

Passado o Vale, o técnico começa a conseguir melhorar na carreira, conseguindo aos poucos reaprender e aplicar os conhecimentos no ambiente em que trabalha. É o momento de maior satisfação em sua carreira, até que ele atinge o topo e tenta passar para o nível acima (o braço técnico da carreira em Y).

Enquanto ele tenta eternamente passar para o outro nível, os seus colegas administrativos conseguem promoções e viram seus gerentes. O técnico pode passar anos neste ponto. Daí ou ele muda de emprego ou ele se dá por vencido e tenta virar gerente. A partir deste momento também é só ascensão até o momento em que o profissional está no topo da carreira da empresa. A partir daí, começa a preparação para a aposentadoria, quando ele procura não esquentar muito a cabeça até finalmente se aposentar e começar a viver de verdade.

PS: Apesar da experiência quase nula em edição gráfica, fiz este esquema rapidamente com o software livre Inkscape (e tudo sem pedir ajuda para o grande mestre do Inkscape, meu amigo Cadunico :P )!