Esta é a segunda e última parte do artigo. Então, primeiro leia a primeira parte.
No fim da primeira parte, eu disse que o software livre resolve o problema do não compartilhamento de conhecimento que acontece com diversos softwares, mas vamos entender isto melhor.
O que é Software Livre?
Na definição da Free Software Foundation (Fundação Software Livre), um software é livre quando garante 4 liberdades:
- Liberdade de rodar o programa para qualquer propósito;
- Liberdade de estudar como o programa funciona e modificá-lo para que faça o que quiser (acesso ao código-fonte é uma precondição para esta liberdade);
- Liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar o seu próximo;
- Liberdade de melhorar o programa e publicar sua versão modificada ao público, para que todo a comunidade possa se beneficiar (acesso ao código-fonte também é uma precondição para esta liberdade).
Todo o software (livre ou não) possui uma licença de uso – um software é livre quando sua licença de uso garante todas essas liberdades. E mais, um software livre não necessariamente foi criado desta forma. Existem diversos softwares que nasceram proprietários e tiveram sua licença alterada – é uma questão de escolha de seus donos. Veja alguns exemplos:
- Linux: somente em 1992 Linus Torvalds mudou sua licença, abandonando a cláusula que proibia seu uso comercial e adotando a GPL (Licença Pública GNU);
- Mozilla: criado a partir do Netscape e hoje evoluiu para o Firefox;
- OpenOffice.org: criado a partir do StarOffice da Sun;
- Blender: seu código-fonte foi comprado em 2002 diante da falência da companhia NaN.
História resumida do software livre
- 1983 - Richard (Matthew) Stallman lança o Projeto GNU;
- 1984 - Stallman abandona seu emprego no MIT para dedicação integral ao Projeto GNU;
- 1985 - Fundação da Free Software Foundation, por Stallman;
- 1991 - Linus Torvalds, desenvolve a peça que faltava para o sistema operacional GNU: o kernel (Linux), que, favorecido pelo ambiente colaborativo propiciado pela Internet, se desenvolveu muito rapidamente.
Podemos ver que num software livre (com as 4 liberdades garantidas), seu conhecimento não ficará restrito a um grupo pequeno de pessoas e poderá ser compartilhado com qualquer pessoa! Poderá ser melhorado ao gosto de cada um, como a receita de bolo compartilhada entre amigos. No entanto, se aplicarmos a regra do software proprietário às receitas de bolo, seria inaceitável um comportamento como pedir uma receita – você poderia ser preso por isso! Parece um absurdo completo, mas várias formas de conhecimento são tratadas desta forma. Alguns exemplos são: música, livros, filmes e software. Existem os direitos de cópia (copyright) e os direitos autorais, mas isso é assunto para outro artigo (teremos uma palestra sobre este assunto no GNUGRAF também).
Desta forma você pode pensar: “além das coisas cotidianas (como receitas de bolo) e do software livre, existe alguma forma de conhecimento nos dias de hoje que não seja restritivo?”A resposta é sim! A pesquisa científica vêm trabalhando há séculos com um modelo baseado em livre exposição de pensamentos, onde os autores são reconhecidos por mérito. Onde o trabalho de um acaba, começa o de outro e, assim, a humanidade foi evoluindo. Como disse Isaac Newton no século XVII:
Se vi mais longe foi por estar sobre ombros de gigantes.
Com tudo isso mostrado, podemos chegar à nossa segunda conclusão: Se software é conhecimento, …
“Software livre é conhecimento livre!”
Vantagens do software livre
Podemos entender os impactos positivos da produção e uso de software livre em quatro perspectivas: social, técnica, política e estratégica.
Do ponto de vista social (algumas vezes chamado de “filosófico” ou “ideológico”):
- Reaproveitamento de ideias;
- Conhecimento acessível a qualquer pessoa;
- Geração de trabalhos baseados;
- Colaboração entre pessoas;
- Ferramenta de estudo e pesquisa.
Do ponto de vista técnico:
- Permite evolução competitiva, rápida e sólida (correção de erros ou bugs);
- Maior segurança, por se saber o que está sendo executado;
- Software é evoluído por necessidades técnicas e não financeiras;
- Garante permanente compatibilidade entre os produtos das diversas versões, caso contrário, a continuação da versão anterior;
- Aderência a padrões abertos (como ODF, usado no OpenOffice.org, e HTML, usado para se fazer sites web).
Do ponto de vista político:
- Inclusão digital;
- Vantagens pedagógicas (transformando os alunos em produtores e não só consumidores, não obriga o aluno utilizar softwares pelos quais não poderá comprar e prega aos jovens uma visão de colaboração do mundo);
- Modelo economicamente sustentável;
- Desenvolvimento distribuído gera ganhos financeiros e tecnológicos localmente;
- Soberania nacional.
Do ponto de vista estratégico (empresas e governos):
- Independência de fornecedores;
- Economia (não necessidade de compra de licença de uso);
- Garantia de manutenção em caso de descontinuidade;
- Possibilidade de desenvolver funcionalidades que considera mais prioritárias.
Espero que tenham gostado e aguardo os comentários! Além disso, se morar no Rio de Janeiro, não deixe de ir ao GNUGRAF. É de graça e teremos diversas palestras e mini-cursos como profissionais de qualidade das áreas multimídia. Bem, eu vou ajudar no evento, mas não vou perder as atividades relacionadas à produção musical
. Grande abraço!