Previsão: HTML5 como plataforma ubíqua no mundo móvel

Este artigo foi publicado originalmente na Revista Espírito Livre ed. 33 com tema “Previsões para 2012″. Não deixe de ler os demais artigos, pois está muito legal!

O HTML5 é uma das tecnologias mais comentadas do momento. Composto de um conjunto de padrões abertos, promete possibilidades ilimitadas para o desenvolvimento de sites e aplicativos web, inclusive para rodarem em dispositivos móveis.

Dentre suas capacidades, incluem execução de áudio e vídeo, execução de animações e até mesmo execução offline. Isto tornariam obsoletas algumas tecnologias proprietárias que dependemos hoje, como o Adobe Flash. Isto tanto é verdade, que a Apple há tempos abandonou o Flash no iOS [1], abraçando o HTML5, e motivou a Adobe a abandonar esta tecnologia no mundo móvel em prol também do padrão aberto [2].

No entanto, a maior parte do desenvolvimento móvel feito atualmente é baseado em kits de desenvolvimento nativos de cada plataforma, abordagem muito comum nos aplicativos desktop antes da explosão da “computação em nuvem”. A grande desvantagem disto é que os desenvolvedores devem portar suas aplicações para cada sistema que deseja executá-las, um trabalho que não é fácil.

O mundo desktop evoluiu para a web e o mundo móvel também irá evoluir para a mesma direção, mas desta vez será muito mais rápido. Com capacidades exclusivas para celulares e tablet modernos, o HTML5 será a plataforma que possibilitará esta evolução.

O futuro já começou

Atualmente já existem alguns frameworks de desenvolvimento, como o Rhodes Mobile [3] e o PhoneGap [4], que geram aplicações para múltiplas plataformas, utilizando HTML5 e rodando a aplicação no navegador web do dispositivo. Detalhe importante é que, em outubro, a Adobe comprou a empresa por trás do PhoneGap, mostrando que não está brincando quando diz que irá mudar seu direcionamento no mundo mobile.

Outra boa notícia para quem acredita nesta tendência, foi a da abertura do código do webOS [5], sistema móvel da HP que foi desenvolvido originalmente pela Palm. Este é um sistema operacional totalmente baseado em tecnologias web, dentre elas o HTML5.

Seu framework de desenvolvimento de aplicativos, o Enyo [6], também terá seu código aberto e a expectativa é que a comunidade porte-o para outros sistemas móveis, como Android e iOS.  Caso isto aconteça, será mais uma boa opção para quem desejar desenvolver aplicações para diversos dispositivos.

Conclusão

Apesar da especificação do HTML5 ainda não estar finalizada, com muitos detalhes ainda indefinidos, suas evoluções estão sendo acompanhadas de perto pela comunidade e por todas as empresas do ramo. Certamente muita evolução acontecerá no decorrer de 2012 e a tendência é que a tecnologia ganhe ainda mais espaço, tanto no mundo desktop quanto no móvel.

Com esta expansão, 2012 poderá ser um ano em que o HTML5 começará a ser considerado como uma das principais plataformas para desenvolvimento móvel. Com isso, ganhará o desenvolvedor, que poderá disponibilizar suas criações para usuários de múltiplos sistemas de maneira simples, e também ganhará o usuário, que terá uma gama ainda maior de aplicativos disponíveis.

Referências:

Esperanças com a abertura do webOS

No último dia 09 de dezembro, a HP anunciou que abrirá o código do seu sistema operacional, o webOS, numa tentativa de se manter relevante no mercado de dispositivos móveis. Apesar dos seus conceitos de interface de usuário inovadores e ter cativado todos os seus poucos usuário, ele foi a grande promessa de volta por cima da Palm que nunca se concretizou.

web + OS

Apesar de não conhecer o sistema, o que mais me chama atenção para o webOS é o desenvolvimento de aplicativos feito utilizando padrões web (HTML5/CSS/JS). Tenho visto os vídeos da W3Conf e tenho me tornado um entusiasta cada vez maior do HTML5, a ponto de achar que a tecnologia é o futuro do desenvolvimento móvel. Sendo assim, acredito que os sistemas móveis baseados em padrões web são os mais preparados para o futuro e que os dias dos SDKs nativos estão contados.

Mas o webOS não é o único a apostar nesta ideia. Existem outros dois sistemas, atualmente em fase de desenvolvimento, com princípios similares: o Boot2Gecko (ou B2G), bancado pela Mozilla, e o Tizen, bancado pela Intel e Samsung com a benção da Linux Foundation. Além de apostarem na plataforma web, os três são sistemas que rodam sobre o kernel Linux e serão livres.

Mas ainda existe espaço?

A pergunta que realmente fica é: “será que não é tarde demais?” Num mercado dividido ente iOS e Android, com o Windows Phone querendo entrar na briga, será que o webOS tem futuro ou será que acabará como o Symbian?

Assim como tem acontecido no mundo desktop, acredito que o no mundo móvel o sistema operacional perderá cada vez mais a importância como plataforma de execução de aplicativos, deixando esta tarefa para o navegador e a “nuvem“. Sendo assim, acho que um sistema que aposta nisso tem grandes chances de ser relevante.

No entanto, o webOS livre lutando sozinho provavelmente será tão “bem” sucedido quanto o webOS fechado. Mas se a HP juntar seus esforços junto com o B2G e o Tizen, o futuro poderia ser realmente promissor.

webOS + B2G + Tizen

Dos três sistemas, o webOS é o único que está pronto hoje. Ele só precisa substituir as partes que não poderão ser abertas, um esforço que os outros dois projetos poderiam ajudar. Com todos os esforços direcionados para a mesma base de código, poderíamos ter algo espetacular!

Do ponto de vista comercial, existirão outras grandes empresas apoiando a HP, dentre elas uma das maiores fabricantes de celulares do mundo: a Samsung. Sem contar que a presença da Mozilla e da Linux Foundation poderá trazer um ar de projeto verdadeiramente open source, o que pode trazer confiança e investimentos de outras empresas que não se sintam bem atendidas pela Android ou pelo Windows Phone.

Na torcida por um futuro mais aberto

Tudo o que escrevi são apenas devaneios, mas realmente torço muito para que isto aconteça. Teríamos um sistema com código e governança livres e baseado em padrões abertos e interoperáveis. Isto seria bom tanto para os usuários, que terão mais liberdade de escolha, quanto para os desenvolvedores de software, que não precisarão portar seus aplicativos para diversas plataformas.

WebM: Fim do impasse do HTML5?

Eis que na semana que começou com a perda de um grande ídolo, temos uma ótima notícia: a Google anuncia o lançamento de um codec de vídeos livre para ser utilizado na web! Este é um grande passo na direção de uma web mais aberta, portável e acessível.

Se você está pensando “tá, mas e o que isto tem a ver comigo?”, a reposta simples é TUDO! Isto irá afetar todas as pessoas que acessa a internet atualmente (o que significa quase todas as pessoas do mundo) e irei explicar o porquê agora.

Web2.0 e o Flash Player

Algum tempo atrás, criaram uma palavrinha para denotar uma mudança brusca que estava acontecendo na Internet. As pessoas não estavam apenas acessando web sites quase estáticos apenas para obter informação. Agora elas estavam interagindo através de redes sociais, criando conteúdo em blogs e fotologs, distribuindo e assistindo vídeos e músicas etc. Era a chegada de uma nova era na grande rede: a web2.0.

Todo este movimento veio puxado por sites como Orkut (aqui no Brasil), Blogger, YouTube, Flickr, dentre outros. No caso particular do YouTube, não havia meios de executar vídeos diretamente pelo navegador, a não ser apelando para o uso de plugins. Eles então escolheram o Adobe Flash Player como plataforma de execução de vídeos via streaming.

O Flash Player está presente na web desde o seus primórdios. Mas com a web2.0 ele (antes restrito a banners em sites, pequenas animações ou àqueles pesados sites ricos em recursos gráficos e navegação precária) passou a ser peça fundamental para a distribuição de conteúdo multimídia. Mas isto se tornou um grande problema para o avanço da web por alguns motivos:

  1. É proprietário e suas melhorias são dependentes da vontade da Adobe – alguns grupos tentaram criar implementações livres do plugin, mas elas nunca chegaram ao ponto de poderem substituir o original;
  2. Sites como YouTube não funcionavam bem em plataformas pouco suportadas pelo software (como Linux antigamente) e ninguém podia melhorar isto além da Adobe (problema acima);
  3. Aparelhos móveis, como smartphones, tiveram têm problemas para suportar a tecnologia e com o consumo de bateria (Steve Jobs, da Apple, falou sobre isto há pouco tempo);
  4. Problemas comerciais com empresas que não querem ficar dependentes da Adobe (Steve Jobs também falou sobre isto).

HTML5 e o impasse

Foi então que a W3C, consórcio de empresas que criam e mantém os padrões abertos que todos seguem (menos a Microsoft no Internet Explorer…) para que a web seja aberta e interoperável, percebeu que era hora dos padrões evoluírem para acompanhar toda esta mudança. O carro chefe desta mudança seria a atualização do principal padrão utilizado para criar websites: o HTML. Com a versão 5, o sites poderiam utilizar vários recursos avançados, como por exemplo execução de áudio e vídeo, direto no navegador sem depender de plugins externos (saiba mais sobre HTML5).

Tudo estava muito bom até que se chegou na discussão do codec de vídeo a ser padronizado. De um lado Ogg Theora: livre e gratuito para qualquer tipo de uso, mas pouco difundido e com possíveis problemas de patentes. Do outro o H.264: proprietário e pago, mas amplamente utilizado (inclusive dentro do Flash), suportado por hardware (o que torna mais rápido e com baixo consumo de recursos) e tecnicamente (ou teoricamente) melhor. Empresas proprietárias, como Microsoft e Apple, defendendo o H.264. Empresas e fundações pró-software livre, como Mozilla e FSF, defendendo o Theora. Google em cima do muro suportando ambos no seu navegador Chrome.

Então a FSF teve uma ótima ideia e publicou uma carta aberta à Google, pedindo que ela abrisse o código do VP8: um codec que, após uma aquisição, havia se tornado de sua propriedade. Este seria um candidato perfeito para acabar com a discussão já que ele não teria problemas de patentes e seria tecnicamente melhor que o H.264.

WebM: em rumo à “open web

Chegamos no presente e no anúncio do qual mencionei no início do post. O WebM utiliza para codificação de vídeo justamente o VP8 (conforme pedido pela FSF) e realmente acho que o impasse dos codecs chegará ao fim, já que a Microsoft já anunciou que suportará o WebM e acho que a Apple não vai muito à frente sozinha.

Espero que eu tenha conseguido mostrar como este anúncio é um grande passo na direção certa e como isto abrirá as portas para uma web com vídeo de alta qualidade, alto desempenho e utilizando padrões totalmente abertos, sem restrições de uso etc.

PS: Você pode fazer sua parte em favor de uma web mais aberta utilizando navegadores que sejam aderentes aos padrões internacionais da W3C, como o Firefox, Google Chrome, Opera e Safari. Dizem que o Internet Explorer 8 está totalmente aderente, mas não tenho certeza (o IE6 e 7 com certeza não são). De qualquer modo eu recomendo o Firefox ou o Chrome, por serem softwares livres.